quinta-feira, 10 de fevereiro de 2005

A Filha da Floresta


Juliet Marillier


Bertrand



Ler este belo livro, foi como entrar por dentro de uma lenda celta, repleta de magia, amor, carvalhos, batalhas e mistério...

Sorcha é a filha da floresta, a sétima filha de um sétimo filho. Ela vive em Sevenwaters, uma casa perto de um grande lago onde vão desaguar sete riachos numa floresta da Irlanda e onde habitam as Criaturas Encantadas...

Após a ter dado à luz, Niamh a mãe de Sorcha morre e ela fica com os seus seis irmãos; Conor um aspirante a Druida, Liam já um lider, Padriac um aventureiro, Diamir e Comarck dois fervervosos guerreiros e Finbar que fala com Sorcha sem serem ouvidos.

Acho o livro com um ritmo incrível, empolgante e emocionante...

Sobre os seis irmãos caí um feitiço terrível planeado por uma terrível madrasta recém chegada a Sevenwaters que os faz transformar em cisnes, ficando apenas com a forma humana na noite do Solstício de Verão e do Solstício de Inverno. Sorcha consegue fugir da madrasta e para salvar os irmãos das suas formas selvagens terá que tecer seis camisas feitas de morugem e colocá-las no pescoço de cada cisne, até acabar a tarefa não poderá falar com ninguém...

O que Sorcha passa nas florestas e cavernas da Irlanda e depois de ser capturada pelos Bretões, isto tudo em 3 anos, é pois, um desafio enorme e terrível, para uma rapariga de apenas 16 anos...

"Mas há uma coisa de que não podes esquecer, se bem que possas esquecer tudo o resto. O bem e o mal não existem, salvo na maneira como vês o mundo. Não há trevas nem luz, salvo na tua visão. Tudo muda com um simples pestanejar, no entanto, permanece na mesma".

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2005

A História da Atlântida


Lewis Spence

Livros do Brasil



Hoje em dia existem três formas distintas de encarar a temática da Atlântida: há aqueles que acreditam na existência de uma Ilha-Continente que submergiu em tempos idos; há os que não acreditam e há os que dizem «Atlân... quê?...».

Mas, o que me parece ainda mais evidente é que os que acreditam, acreditam porque sim, e os que não acreditam, não acreditam porque não! Ou seja, os que acreditam, tais como os que não acreditam, baseiam as suas crenças no que ouviram dizer deste ou daquele. Normalmente os que acreditam, fazem-no porque estão convencidos que são de mente aberta, estão abertos aos temas da New Age, acreditam que existe uma conspiração que tenta esconder as verdades sobre os grandes mistérios da Humanidade, etc.. Os que não acreditam, estão convencidos de que já foram efectuados todos os estudos possíveis e de que nunca foram encontradas quaisquer provas que corroborassem a teoria. Assim, estão certos que a discussão já nem se coloca e acreditar em tais coisas é para os maluquinhos...

Isto tudo para dizer que são muito poucos aqueles que se debruçam, de facto, sobre a temática e se embrenham em estudos e pesquisas. Os entraves a tais estudos são muitos, pois existe pouca obra publicada sobre o tema, em forma de livro e em português, claro está.

Assim, esta História da Atlântida vem preencher um vazio em termos editoriais, uma vez que se trata de um estudo bastante bem fundamentado, realçando uma série de aspectos que, até nos mais cépticos, podem levantar questões pertinentes.

Em grossas linhas podemos dizer que o autor vai recapitulando as fontes da História Atlante, referindo, como é óbvio o incontornável Platão, transcrevendo Timeu e Crítias.

Mas, aquilo que nos parece mais importante são as invasões da Europa, referidas a páginas tantas pelo autor. A primeira efectuada pelo povo Aurignacence, por volta de 25 mil anos a.C., um povo com um sentido muito apurado de Arte e de Beleza, constatados nas pinturas rupestres que nos legaram, e que segundo o autor levaria séculos a atingir. Ora, não existem vestígios deste povo em qualquer outra parte do mundo, nem a Sul ou a Leste, onde pudessem ter vivido e onde pudessem ter evoluído, e o seu aparecimento espontâneo na Europa é, para o autor, um forte indicativo de que houve uma invasão, vinda de um continente hoje submerso. Outra invasão foi prepetrada pelo povo Azilense, este por volta de 12 mil a.C., mas cujas pinturas rupestres denotam já uma degenerescência.

Enfim, são apenas alguns aspectos, talvez menos conhecidos, que o autor desvenda ao longo das páginas de uma obra editada pela primeira vez em 1926.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2005

Oráculo

Irmão Lucas

«Torna a colocar a vara de Aarão diante do testemunho, como um sinal duradoiro para os rebeldes; assim farás cessar as suas murmurações contra Mim e eles não morrerão».

sexta-feira, 14 de janeiro de 2005

Fernando Pessoa e os Mundos Esotéricos

Ontem fui assistir, na Fnac do Fórum Almada, ao lançamento da 2ª Edição do livro "Fernando Pessoa e os Mundos Esotéricos", de José Manuel Anes, editado pela Ésquilo. A apresentação esteve a cargo da jornalista Helena Barbas, acompanhada do próprio Autor e do Editor (e também Escritor) Paulo Loução.

Para além do Dom da Escrita, José Manuel Anes tem também o Dom da Palavra e a sua boa disposição é uma mais valia para cativar a todos. Como tal, foi uma apresentação bastante bem sucedida, onde se abordaram diversos assuntos, extrapolando, em certas alturas, o universo Pessoano.

Ainda não tive oportunidade, contudo, de ler a obra em causa, mas posso avançar que me parece muito interessante e, diria mesmo, importante, uma vez que apresenta alguns aspectos menos conhecidos (ou desconhecidos mesmo) da vida do Poeta. Como exemplo, podemos referir a inclusão no livro de um documento que atesta a adesão de Pessoa a uma Ordem crowleyana, denominada "Argenteum Astrum". A afiliação de Fernando Pessoa a uma qualquer Ordem de carácter Esotérico e/ou Tradicional foi sempre amplamente discutida, sem nunca ter sido apresentado nenhum documento que confirmasse ou negasse tal facto. Contudo, recentes descobertas efectuadas pelos sobrinhos do Poeta, vieram pôr termo a esta dúvida...

Existe ainda outro motivo que encontro para adjectivar esta obra de "importante". Parece-me essencial, num mundo desmesuradamente materialista, apontar alguns vultos do Passado, como é o caso de Fernando Pessoa, e revelar a sua face mística, oculta, esotérica. Urge que se quebre o preconceito existente de que aqueles que se debruçam sobre os Mistérios, não passam de seres transtornados, seres que perderam a lucidez. Fernando Pessoa, tal como muitos outros que ao longo da História procuraram ampliar a sua consciência, através de uma visão holística dos fenómenos, foi um homem lúcido, extremamente lúcido, genial mesmo. Isto é atestado pela sua obra literária, reconhecida em todo o mundo, mas também pela sua faceta de Esoterista e Esoterólogo, revelando-se, a este nível, uma referência incontornável.

Posto isto, resta ler o livro...

quarta-feira, 12 de janeiro de 2005

Sub-produtos dos jornais e revistas

Não é de todo novidade que alguns jornais e revistas disponibilizam, como compra opcional e em atractivas colecções, livros a preços bastante reduzidos.

Sinceramente, ainda não sei bem que posição hei-de tomar no que diz respeito a este assunto - se é que existe algum interesse em tomar uma posição sobre este ou até qualquer outro assunto, mas não vale a pena ir por aí...

Por um lado, os livros estão, de facto, despropositadamente caros e colocar os mesmos à venda, por um preço por vezes três vezes mais baixo, é um acto a enaltecer. Por outro lado, o mercado livreiro vai abaixo ainda mais, pois deixam-se de vender outros livros, mesmo que estes estejam fora das referidas colecções.

Por um lado, os livros mais baratos possibilitam a algumas pessoas, com menos posses, o acesso à "Cultura". Por outro lado, lembro as palavras do Mestre Agostinho da Silva que ao ser questionado sobre o que faria se um dia fosse Ministro da Cultura, respondia que «a primeira cultura é o pão para a boca». Porventura, as pessoas que estas promoções procuram visar não estão de todo interessadas. Quem acaba por aproveitar as promoções são os mesmos que iriam comprar os livros do mercado livreiro e que, assim, deixam de o fazer.

Assim, sendo livreiro, tendo a estar ligeiramente inclinado a reprovar a venda desses sub-produtos, mas o que é certo é que eu próprio já aproveitei algumas oportunidades. Por isso, abstenho-me de tomar uma posição, se me o permitirem...

domingo, 19 de dezembro de 2004

Código da Vinci

Não, por acaso não vamos escrever sobre este livro, que lemos lá para Maio ou Junho deste ano, até porque a opinião que temos do mesmo não é muito abonatória. Entre outras coisas, nunca percebemos porque é que o autor, ao falar de um hipotético código cifrado por Leonardo nas suas obras de arte, decidiu, no título do livro, dizer que se trata do código da cidade (Vinci) onde nasceu esta importante personalidade; na altura nem existiam telefones - apesar do Leonardo já dever andar a pensar inventar uma coisa dessas!...

Vamos sim apontar uma curiosidade, que apelidarei de Ossos do Ofício, neste caso o ofício de livreiro, que é o nosso...

Como sabem (ou calculam), muitas vezes quando um cliente quer um livro o mais certo é não se lembrar nem do nome do mesmo, nem do autor, quanto menos a editora... sabe apenas que a capa é assim para o azulado com umas letras grandes avermelhadas, não sabe tampouco o assunto, mas está muito interessado em ler o livro.

O Código da Vinci estava apenas no início do enorme sucesso que veio a ter e o nome ainda não estava na ponta da língua como hoje... Nessa altura ouvimos estas pérolas, que supostamente seriam o nome deste polémico (mas insipiente) livro:

  • O Rapto da Mona Lisa
  • O Sorriso da Gioconda
  • O Código de la Vinci
  • O Mistério da Vinci
  • O Código de Avalon
... entre outras que não tivemos oportunidade de anotar...

terça-feira, 7 de dezembro de 2004

Parabéns Rainer!


Apesar de este ser um Blog dedicado à “recensão crítica” (o que é que será que isto quer dizer?...), não podíamos deixar de assinalar o aniversário de alguém que, para além de inúmeras e inolvidáveis obras beneméritas, contribuiu com cerca de 60 livros para um panorama literário que, assim, ficou mais rico.

Como tal, desejamos um feliz 63º aniversário ao nosso bom Amigo Rainer Daehnhardt, prestando-lhe, desta forma, uma modesta homenagem.

Um enorme Bem Haja!!... e que conte muitos mais!!

domingo, 28 de novembro de 2004

Mensagens do Sanctum Celestial


Raymond Bernard


Renes – Biblioteca ROSACRUZ IX




Raymond Bernard
é, nos dias que correm, praticamente um desconhecido em Portugal. Como tal, por inúmeras razões, entre as quais o seu enorme Amor pelo nosso país, é natural que façamos, periodicamente, pequenas alusões ao seu percurso literário, conforme formos (re)lendo esta ou outra obra. Desta feita, falaremos das suas Mensagens do Sanctum Celestial.


Este livro, tal como outros do mesmo autor, nasceu de um conjunto de mensagens, em forma de fascículos, enviadas aos membros da Ordem Rosacruz – AMORC, durante os anos sessenta, quando Raymond Bernard assumia as funções de Grande Mestre desta Ordem na França e países de língua francesa, acumulando ainda a função de Legado Supremo do Imperator na Europa.


Mensagens do Sanctum Celestial
é, acima de tudo, uma importante ferramenta de trabalho, essencialmente para aqueles que se dedicam aos estudos rosacruzes, mas não só. Isto porque, apesar das indicações precisas que transmite para aceder com toda a certeza, dignidade e amor ao Santum Celestial, o livro está repleto de ensinamentos que a todos dizem respeito, estudantes rosacruzes ou não. Assim, os assuntos tratados são de interesse incontornável para todos aqueles que querem aprofundar os seus conhecimentos nos campos da Espiritualidade pragmática. Entre os mesmos poderemos destacar: A Lei do Silêncio, A Cura Espiritual, As Vidas Sucessivas ou A Lei da Compensação; assuntos que são tratados com a maior clareza e simplicidade possível, e apresentados com a eloquência reconhecida nos grandes mestres.


Todas as palavras que aqui empregarmos nunca poderão fazer justiça a esta ou a qualquer outra obra literária de Raymond Bernard, que são verdadeiros ponteiros certeiros que apontam na direcção de uma consciência mais ampla.

sexta-feira, 19 de março de 2004

515 - O Lugar do Espelho


Lima de Freitas

Hugin



«O símbolo, com efeito, permite um número indefinido de interpretações, na medida em que postula uma metalinguagem e exige um esforço constante de adequação» (Lima de Freitas).

Esta ideia, que autor vai fazendo referência e que vai aprofundando ao longo de todo o livro, é de extrema importância e será essencial retê-la, aquando da leitura desta obra impressionante - uma “obra-mestra”, nas palavras de Gilbert Durand. Isto porque, é sobre símbolo e sobre todas as suas implicações (entre outros assuntos, evidentemente) que o esquecido Pintor, Desenhador, Gravador, Ceramista e Ensaísta Lima de Freitas se debruça, ao longo das trezentas e muitas páginas deste livro.


Após a leitura, parece-nos claro que o autor se propôs a três objectivos bem definidos, aquando da execução da obra, e que foram (não necessariamente por esta ordem):


1º. Dar a conhecer a uma audiência não-portuguesa (o livro foi originalmente escrito em francês e editado pela chancela Albin Michel) os mistérios e a riqueza da Tradição Filosófica e Esotérica deste país, que autores como Guénon, Evola ou Eliade, ao fazerem referência a vários temas em que esta Tradição seria incontornável, pura e simplesmente a ignoraram.


2º. Desvelar o porquê de Dante ter usado o número 515 (e não outro) para o Messo di Dio.


3º. Enunciar algumas ocorrências deste mesmo número em vários obras, nomeadamente em pintura e escultura, perscrutando um fio condutor, um saber oculto que a todas seria comum.


Em todos estes objectivos, estamos em crer, Lima de Freitas obteve sucesso, apresentando a sua obra tal como se de uma investigação policial se tratasse. Os factos, as deduções, os raciocínios são de tal forma bem esquadrinhados que, não fosse o autor fazendo ressalvas em contrário, acreditaríamos que nada tinha ficado por averiguar ou por dizer.


Sem dúvida reveladora é a interpretação, apresentada por Lima de Freitas, dos Painéis de São Vicente de Fora, o políptico atribuído a Nuno Gonçalves, que sendo díspar da que foi outrora exposta por António Quadros, não a exclui, e ambas até se complementam. Segundo o autor, estamos em presença de mais uma representação do 515...


Outro aspecto interessante a ter em conta é o rol de conhecimentos vários que vamos absorvendo ao ler esta obra: Geometria Sagrada, Numerologia, Guematria, Pitágoras, o Veltro, Dürer, o Paracleto, Templários, Joaquim de Fiore, Vieira, enfim...


515 - O Lugar do Espelho é, por tudo isto, uma obra de enorme relevo no panorama da tradição literária-filosófico-esotérica portuguesa, tendo claramente tanto peso como algumas obras de António Quadros, Agostinho da Silva ou Fernando Pessoa. Não será nunca (!?) um sucesso editorial, mas é sem dúvida fundamental para todos aqueles que procuram os saberes tradicionais.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2004

Letters From Nowhere


Raymond Bernard

Circes International



Um livro bom de um homem bom! Assim se referiu a este livro o nosso Amigo Alexandre Gabriel. Concordámos, naturalmente.

Ficámos, no entanto, indecisos se havíamos, ou não, de referir esta obra no Arte de Ler. Isto porque se trata de uma obra em inglês (o original é em francês), não traduzida para o português e, ainda por cima, muito difícil (se não mesmo impossível) de encontrar nas livrarias. Mas, consultámos o site da amazon.com, e o livro pode ser aí adquirido. Aproveitámos a navegação pela internet para colocar uma crítica a esta mesma obra, no referido site, a qual passamos a transcrever, numa tradução livre.


A nosso ver, este livro encontra-se dividido em duas partes distintas. A primeira é dedicada a um Tributo, de Raymond Bernard, a Kamal Joumblat, o Grão-Mestre dos Druzos, que nos permite ter uma ideia completamente nova deste homem, assassinado à saída do seu château em Moktara, no Líbano. Ainda na primeira parte do livro, o Misticismo Rosacruz é referido, a que se acrescenta uma breve análise do filho do autor Christian Bernard, que é, presentemente, o Imperator da AMORC -, pelo próprio autor.

Na segunda parte do livro, que é maior do que a primeira, Raymond Bernard partilha as suas viagens espirituais pelos países orientais, de uma forma que é perceptível por todos. Os seus contactos com personalidades eminentes na Índia, e noutros países, como o Tibet ou Nepal, são descritos em profundidade, e tudo aquilo que a Raymond é permitido revelar, é revelado... Ao fazê-lo, Raymond permite um desenvolvimento espiritual a todos aqueles que encararem este livro com mente e coração abertos.

Claustro de Sonhos


S. Franclim

Hugin



No Livro do Esplendor, o Sepher ha-Zohar, que é um comentário à Bíblia, é dito que esta é susceptível de ser interpretada de 49 formas diferentes (Zohar, II, 130). O mesmo texto (Zohar, I, 25b) diz ainda que a Escritura apresenta 70 Sentidos. É evidente que estes são números simbólicos, sendo que o primeiro corresponde às 49 portas de misericórdia, de que o período jubilar é a imagem, podendo também remeter-nos ao Pentecostes... O 70 poderá ser uma “simplificação” do 72, outro número de cariz simbólico, naturalmente.

Esta informação, que obtivemos na obra 515 - O Lugar do Espelho de Lima de Freitas, da qual falaremos em futuro post, serve apenas para apoiar a ideia de que a nossa interpretação, dos poemas do Claustro de Sonhos de S. Franclim, é apenas uma das várias possíveis... A isto se presta a poesia!


Sabemos, por conversa com o autor, que a respectiva interpretação não está “correcta”, uma vez que não foi com esse sentido que o livro foi escrito. Mas, foi também o autor que nos disse que a achou interessante e, em certa medida, “concordou” com a mesma. E é por isto que, de seguida, a expomos.


Assim, consideramos que a poesia em Claustro de Sonhos expressa o ultrapassar do Nigredo alquímico, culminando numa Morte Simbólica e num Renascimento, após o qual o poeta nos diz que a sua alma está «sedenta de Luz». Pelo meio, o autor vai descrevendo o desenrolar do seu processo interior, em certas alturas (poucas), de uma forma leve e descontraída, mas noutras, revelando toda a profundidade desse mesmo processo, das dores e desalentos que acarreta.


Este livro denota uma maior maturidade do autor, apesar de ainda muito jovem. De facto, S. Franclim tem apenas 25 anos, mas conta já com um currículo literário considerável, com 7 livro editados. Relembramos aqui alguns: Espírito de Portugal, Os Montes da Glória ou O Último Maçon.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2004

O Sangue de Cristo e o Santo Graal


Michael Baigent, Richard Leigh & Henry Lincoln

Livros do Brasil



As opiniões acerca deste livro foram de tal forma diversas que, em certa altura, pareciam estar a referir-se a várias obras diferentes. Se por um lado, houve quem o considerasse como “a maior obra do século XX”, outros entendiam que poderia bem ser a pior... E porquê? Sem dúvida, pela controvérsia que envolve o tema central do livro.

Como os próprios autores disseram, a páginas tantas, as hipóteses de Jesus não ter morrido na cruz, de se ter casado e de ter tido filhos, não eram de todo novas, e já haviam sido avançadas muitas vezes antes da edição desta obra. Contudo, existiram uma série de conjunturas que transformaram este livro numa obra explosiva.


Primeiramente, no ano em que a primeira edição veio a lume (1982), atravessava a Europa uma altura relativamente calma, o que fez com que a polémica gerada pela edição do livro, alcançasse estatuto de notícia, nalguns casos, mesmo de primeira página.


Depois, não será menos importante o facto de que um dos autores ser um conhecido apresentador da BBC que, uma década antes, havia iniciado uma série de documentários relacionados com o mistério de Rennes-le-Château. No final do primeiro filme, o apresentador terminava com as seguintes palavras: «Algo de extraordinário está à espera de ser descoberto... e, num futuro não muito distante, sê-lo-á»...


Finalmente, a objectividade presente em toda a obra, apresentando hipóteses bastante bem fundamentadas, oferece uma grande credibilidade, o que faz com que se distancie largamente de outras obras que, versando sobre o mesmo tema, o fazem (ou fizeram) de forma leviana e irreflectida (passe a redundância).


O tema central deste livro é, então, a vida de Jesus e a sua presumível linhagem - a Linhagem Real, o Sangue Real, o Sangraal, o Santo Graal...


Jesus é apresentado como um homem com comportamentos bem humanos, um político, um Rabi descendente dos Sacerdotes do Templo de Salomão, um Padre-Rei, que ao longo de toda a sua vida sempre procurou ocupar o lugar, que era seu por direito, no Trono de Jerusalém. Presumivelmente, terá casado e tido filhos, como era esperado de qualquer homem do seu tempo e ainda mais de um Rabi.


Este conhecimento, que hoje parece quase trivial, foi durante bastante tempo uma séria ameaça ao poder de Roma e, como tal, a sua divulgação foi, a todo o custo, suprimida. Segundo os autores, ao longo do tempo, este conhecimento terá sido perpetuado, assim como a Linhagem Real.


Os Merovíngios, depois os Cátaros e os Templários, e por fim uma Ordem que terá surgido a par destes últimos, com quem “partilharam” os Grão-Mestres até ao “Corte do Ulmeiro” em 1188, e que ainda hoje perdura, denominada Prieuré de Sion, passando pelos Rosa-Cruzes e pela Maçonaria, foram os depositários deste conhecimento. Foi por esta razão (entre outras - mas talvez esta seja a principal) que todos estes movimentos, sem excepção, foram perseguidos pela Igreja de Roma.


Mas, muito para além do tema central, os autores discorrem pormenorizadamente sobre vários assuntos, como os Romances do Graal, os quadros de Poussin, a Dinastia Merovíngia, a História de França, o nosso já conhecido Bérenger Saunière, entre outros, ao longo das quinhentas e muitas páginas do livro que, ainda assim, não se torna numa obra maçuda. Pelo contrário, é de facto uma obra que não deixa ninguém indiferente, e que teve de (des)esperar 21 anos até ter a sua tradução para o português de Portugal. Contudo, não foi tempo perdido, pois esta obra está tão actual agora, como esteve no ano em que veio a lume. Como se costuma dizer nestas ocasiões, a não perder!...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2003

Rex Deus

O Verdadeiro Mistério de Rennes-le-Château e a Dinastia de Jesus

Marilyn Hopkins, Graham Simmans & Tim Wallace-Murphy

Imago Editora



É um facto que, ainda durante o ano de 2003, veio a lume a tradução para a língua de Camões de uma obra central, entre todas as que abordam o tema do mistério de Rennes-le-Château: The Holy Blood and the Holy Grail, que na tradução deu: O Sangue de Cristo e o Santo Graal. No entanto, falaremos deste livro apenas em futura edição deste boletim. Por ora, e uma vez que em português não abundam livros sobre o tema, iremos abordar uma outra obra que trata deste mesmo assunto: Rex Deus, cujo subtítulo é O Verdadeiro Mistério de Rennes-le-Château e a Dinastia de Jesus.

O que há então de misterioso na pacata aldeia de Rennes-le-Château?


Sem dúvida que o maior de todos os mistérios é aquele que surge com Bérenger Saunière. Paroco da «Aldeia no Topo da Colina» a partir de 1 de Junho de 1885, a sua actividade nada tem a assinalar até 1891. Mas, desse ano em diante e após a descoberta de quatro manuscritos antigos, que se encontravam no interior de uma das duas colunas visigóticas que suportavam o altar da Igreja, tudo se modificou. Dedicada a Maria Madalena, a Igreja, datada de 1059, necessitava de reparos urgentes e durante o restauro, ao retirar a pedra do altar, Saunière encontrou os referidos manuscritos. Os restauros na Igreja continuaram, mas o ritmo dos mesmos sofreu uma alteração radical. De um momento para o outro, Saunière começou a gastar muito, mas mesmo muito dinheiro, não só nos reparos da Igreja como na construção da famosa Torre Magdala, na estrada que sobe até à aldeia, entre outras obras que beneficiaram os paroquianos. Os registos indicam que entre 1896 e a data da sua morte em 1917, «gastou mais de 200 mil francos de ouro (...) equivalente a vários milhões de libras de hoje».


Após várias considerações, os autores de Rex Deus chegaram a uma conclusão, que já outros haviam chegado: existe uma relação entre os manuscritos e um importante segredo relacionado com uma hipotética descendência da Linhagem Real de Cristo. É neste intrigante assunto que esta obra se embrenha, apresentando uma série de indícios no sentido da existência de uma «Mão Oculta da História»: um grupo de famílias descendentes dos vinte e quatro sumo-sacerdotes do Templo de Jerusalém (entre os quais Jesus Cristo), intitulado Rex Deus.


Pelo meio, Templários, a Cruzada Albigense, Maçons e Rosacruzes são temas que mereceram uma cuidada atenção. As considerações dos autores sobre estes temas, são pertinentes para todos aqueles que se interessam pela Cavalaria Espiritual e outros assuntos relacionados.


Por tudo o que foi dito, esta é uma obra importante e que, apesar de se basear em grande parte no livro que referimos no início, consegue trazer complementos ao mesmo e até hipóteses totalmente inéditas.

domingo, 19 de outubro de 2003

Quinto Império

Augusto Ferreira Gomes

Parceria A. M. Pereira




Augusto Ferreira Gomes terá sido o melhor Amigo de Fernando Pessoa - talvez até o seu único e verdadeiro Amigo. Esta é uma assumção de nossa lavra, mas que não estará muito longe da verdade, pois sabemos da timidez e das dificuldades de sociabilização de Pessoa, e é certo que Ferreira Gomes terá sido um dos poucos que conseguiram compreender o carácter instável e a dispersividade hetero-psíquica do Poeta nascido no Ano Certo. Disto até dizermos que Ferreira Gomes terá sido o melhor Amigo de Fernando Pessoa ainda vai um grande passo, mas não há dúvida que entre os dois houve uma relação de evidente lealdade e mesmo ternura.


De facto, ao falarmos de Ferreira Gomes é difícil omitir Pessoa, apesar de se ter excluído a ideia de que o primeiro foi discípulo do segundo.


Mas, desta feita, daremos a primazia a Ferreira Gomes, uma vez que veio a lume o seu Quinto Império, re-edição da Parceria A. M. Pereira, responsável também pela primeira edição desta obra, corria o ano de 1934 - o mesmo ano em que era editada a Mensagem, pela mesma chancela.


Verdadeiramente incontornável esta enigmática e obscura Poesia/Profecia que, talvez não sendo a obra mais importante deste poeta do Primeiro Modernismo, é sem dúvida a mais emblemática. A obra é dedicada a Fernando Pessoa e prefaciada por este. Prefácio onde o Poeta que encarnou a Alma Lusa relata, de uma forma sucinta, aquilo que pensa e sente sobre o famigerado Quinto Império.


Não menos importante será o posfácio de J. Pinharanda Gomes, que optou pela abordagem breve de quatro temas/assuntos relacionados com Ferreira Gomes, a saber: a amizade e companheirismo com Fernando Pessoa, a sua intervenção no "caso Crowley", a listagem da obra em livro e uma nótula sobre o Quinto Império.


No seu conjunto - prefácio, obra, posfácio - este pequeno livro transforma-se numa obra de referência, para aqueles a quem esta temática desperta o interesse.


Fernando Pessoa com Augusto Ferreira Gomes no Rossio

sexta-feira, 19 de abril de 2002

Os Montes da Glória


S. Franclim

Fundação Lusíada



Muito mais do que um simples livro de poesia (não menosprezando o género, até pelo contrário), Os Montes da Glória é uma prece de uma Alma Sebastianista. S. Franclim aclama e reclama a vinda do mítico D. Sebastião, Rei do Mundo.

Para todos aqueles que julgam que o Quinto Império é um exacerbar de um nacionalismo fundamentalista e desprovido de significado, a leitura deste livro não é aconselhável. Se, por outro lado, acredita que o povo português é o percursor da Idade do Espírito Santo e do Quinto Império, um Império sem Imperador, então este livro é um marco, uma lufada de ar fresco e até uma fonte de força anímica para continuar a perseguir a ideia de um Mundo melhor.


De cariz por vezes autobiográfico, S. Franclim deu muito de si a este livro, transformando-o num testemunho do que é ser-se português. Em resumo: Os Montes da Glória é um óptimo livro!


Aqui fica um poema:


O Princípio

Quando Portugal brotou da promessa,
não havia mar havia apenas Silêncio.
Os anjos oravam em pensamento
e Deus investia com gestos mudos,
os espíritos predestinados ao amor.

Abençoados, os ciclos suceder-se-ão
até se cumprir aquele que será o quinto.
Então, não existirá mais mal na memória
e tudo será graça do Espírito
o amor do Pai e do Filho
através do eterno reinado lusitano.
E Viriato perdoará
aqueles que o mataram.

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