domingo, 6 de março de 2005

Exortação e Máxima de Vieira

«Comecemos de hoje em diante a viver, como quereríamos ter vivido na hora da morte. Vive assim como quizeras ter vivido quando morras».

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2005

Fernando Pessoa e os Mundos Esotéricos


José Manuel Anes


Edições Ésquilo



A viagem pelos Mundos Esotéricos de Pessoa é fascinante e até perturbante, mas é, ao mesmo tempo, reveladora e iniciática.

José Manuel Anes disseca, uma vez mais, estes Mundos, que já antes haviam sido analisados, por Yvette Centeno e António Quadros p.e., mas que encontram agora novas nuances e novos enquadramentos, pela descoberta de documentação outrora desconhecida.

Baseado nas fases esotéricas do Poeta, definidas pelo supra citado António Quadros, o autor vai descrevendo o deambular iniciático de Pessoa, que ficou marcado pela sua passagem pela Teosofia, pelo neo-paganismo e finalmente pelo cristianismo gnóstico.

Grande parte do livro é dedicada ao interesse do Poeta pela Maçonaria, mas antes José Manuel Anes refere um episódio marcante na vida de Pessoa, que foi a sua correspondência e depois o seu encontro com Crowley e o facto, anteriormente desconhecido, de que Pessoa pertenceu a uma Ordem Crowleyana, atestado por documento incluso no livro.

Mas foi de facto a Maçonaria e outros movimentos tradicionais, como o templarismo e o Rosicrucismo, que receberam o maior foco de atenção pela parte de Pessoa, na fase final da sua vida. Os seus profundos conhecimentos do funcionamento e dos altos graus da Maçonaria, levaram Anes e levantar a hipótese de que o Poeta podia ser responsável por uma Loja Selvagem, na qual se reuniria, provavelmente sem quaisquer paramentos ou alfaias maçónicas, com alguns amigos, entre os quais Augusto Ferreira Gomes, naturalmente.

Outras hipóteses são propostas ao longo do estudo, como sendo a de que a Ordem Templária de Portugal seria de facto um grupo de pessoas, ao qual pertencia Pessoa obviamente, que se reunia na Quinta da Regaleira, grupo ao qual o Poeta atribuiu este epíteto solene.

Após a leitura deste livro fica claro, se é que antes não o era já, que toda a obra pessoana está impregnada destes seus interesses ditos esotéricos e que, ao contrário do que afirmam os mais cépticos e os intelectuais de mente inflamada e coração frio, não se tratam de devaneios ou fingimentos do Poeta...

De facto, por muito que isto custe a alguns aceitar, grandes vultos do passado (e do presente) - já o dissemos - tiveram uma visão holística da vida e dos fenómenos, embrenhando-se em mundos internos, oclusos, experimentando o hermetismo, as ciências ocultas, tendo conseguido, dessa forma, viver vidas fascinantes e deixando obras de grande importância para a Humanidade. Vale a pena referir outros nomes ou basta Fernando Pessoa...?

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2005

Palavras Difíceis

...ou, como dizia o Nicolau Breyner num concurso televisivo de fraco gosto, palavras defíceis...

Quindecênviro - cada um dos quinze magistrados romanos encarregados da guarda dos livros sibilinos e da celebração de certas festas.

sábado, 19 de fevereiro de 2005

Oráculo II

Irmão Lucas,

«De onde vem apoderar-se de ti, no momento do perigo, essa perturbação que não se poderia aprovar num ser nobre, e que não traz consigo o céu nem a glória, Ó Ardjuna?»

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2005

A Filha da Floresta


Juliet Marillier


Bertrand



Ler este belo livro, foi como entrar por dentro de uma lenda celta, repleta de magia, amor, carvalhos, batalhas e mistério...

Sorcha é a filha da floresta, a sétima filha de um sétimo filho. Ela vive em Sevenwaters, uma casa perto de um grande lago onde vão desaguar sete riachos numa floresta da Irlanda e onde habitam as Criaturas Encantadas...

Após a ter dado à luz, Niamh a mãe de Sorcha morre e ela fica com os seus seis irmãos; Conor um aspirante a Druida, Liam já um lider, Padriac um aventureiro, Diamir e Comarck dois fervervosos guerreiros e Finbar que fala com Sorcha sem serem ouvidos.

Acho o livro com um ritmo incrível, empolgante e emocionante...

Sobre os seis irmãos caí um feitiço terrível planeado por uma terrível madrasta recém chegada a Sevenwaters que os faz transformar em cisnes, ficando apenas com a forma humana na noite do Solstício de Verão e do Solstício de Inverno. Sorcha consegue fugir da madrasta e para salvar os irmãos das suas formas selvagens terá que tecer seis camisas feitas de morugem e colocá-las no pescoço de cada cisne, até acabar a tarefa não poderá falar com ninguém...

O que Sorcha passa nas florestas e cavernas da Irlanda e depois de ser capturada pelos Bretões, isto tudo em 3 anos, é pois, um desafio enorme e terrível, para uma rapariga de apenas 16 anos...

"Mas há uma coisa de que não podes esquecer, se bem que possas esquecer tudo o resto. O bem e o mal não existem, salvo na maneira como vês o mundo. Não há trevas nem luz, salvo na tua visão. Tudo muda com um simples pestanejar, no entanto, permanece na mesma".

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2005

A História da Atlântida


Lewis Spence

Livros do Brasil



Hoje em dia existem três formas distintas de encarar a temática da Atlântida: há aqueles que acreditam na existência de uma Ilha-Continente que submergiu em tempos idos; há os que não acreditam e há os que dizem «Atlân... quê?...».

Mas, o que me parece ainda mais evidente é que os que acreditam, acreditam porque sim, e os que não acreditam, não acreditam porque não! Ou seja, os que acreditam, tais como os que não acreditam, baseiam as suas crenças no que ouviram dizer deste ou daquele. Normalmente os que acreditam, fazem-no porque estão convencidos que são de mente aberta, estão abertos aos temas da New Age, acreditam que existe uma conspiração que tenta esconder as verdades sobre os grandes mistérios da Humanidade, etc.. Os que não acreditam, estão convencidos de que já foram efectuados todos os estudos possíveis e de que nunca foram encontradas quaisquer provas que corroborassem a teoria. Assim, estão certos que a discussão já nem se coloca e acreditar em tais coisas é para os maluquinhos...

Isto tudo para dizer que são muito poucos aqueles que se debruçam, de facto, sobre a temática e se embrenham em estudos e pesquisas. Os entraves a tais estudos são muitos, pois existe pouca obra publicada sobre o tema, em forma de livro e em português, claro está.

Assim, esta História da Atlântida vem preencher um vazio em termos editoriais, uma vez que se trata de um estudo bastante bem fundamentado, realçando uma série de aspectos que, até nos mais cépticos, podem levantar questões pertinentes.

Em grossas linhas podemos dizer que o autor vai recapitulando as fontes da História Atlante, referindo, como é óbvio o incontornável Platão, transcrevendo Timeu e Crítias.

Mas, aquilo que nos parece mais importante são as invasões da Europa, referidas a páginas tantas pelo autor. A primeira efectuada pelo povo Aurignacence, por volta de 25 mil anos a.C., um povo com um sentido muito apurado de Arte e de Beleza, constatados nas pinturas rupestres que nos legaram, e que segundo o autor levaria séculos a atingir. Ora, não existem vestígios deste povo em qualquer outra parte do mundo, nem a Sul ou a Leste, onde pudessem ter vivido e onde pudessem ter evoluído, e o seu aparecimento espontâneo na Europa é, para o autor, um forte indicativo de que houve uma invasão, vinda de um continente hoje submerso. Outra invasão foi prepetrada pelo povo Azilense, este por volta de 12 mil a.C., mas cujas pinturas rupestres denotam já uma degenerescência.

Enfim, são apenas alguns aspectos, talvez menos conhecidos, que o autor desvenda ao longo das páginas de uma obra editada pela primeira vez em 1926.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2005

Oráculo

Irmão Lucas

«Torna a colocar a vara de Aarão diante do testemunho, como um sinal duradoiro para os rebeldes; assim farás cessar as suas murmurações contra Mim e eles não morrerão».

sexta-feira, 14 de janeiro de 2005

Fernando Pessoa e os Mundos Esotéricos

Ontem fui assistir, na Fnac do Fórum Almada, ao lançamento da 2ª Edição do livro "Fernando Pessoa e os Mundos Esotéricos", de José Manuel Anes, editado pela Ésquilo. A apresentação esteve a cargo da jornalista Helena Barbas, acompanhada do próprio Autor e do Editor (e também Escritor) Paulo Loução.

Para além do Dom da Escrita, José Manuel Anes tem também o Dom da Palavra e a sua boa disposição é uma mais valia para cativar a todos. Como tal, foi uma apresentação bastante bem sucedida, onde se abordaram diversos assuntos, extrapolando, em certas alturas, o universo Pessoano.

Ainda não tive oportunidade, contudo, de ler a obra em causa, mas posso avançar que me parece muito interessante e, diria mesmo, importante, uma vez que apresenta alguns aspectos menos conhecidos (ou desconhecidos mesmo) da vida do Poeta. Como exemplo, podemos referir a inclusão no livro de um documento que atesta a adesão de Pessoa a uma Ordem crowleyana, denominada "Argenteum Astrum". A afiliação de Fernando Pessoa a uma qualquer Ordem de carácter Esotérico e/ou Tradicional foi sempre amplamente discutida, sem nunca ter sido apresentado nenhum documento que confirmasse ou negasse tal facto. Contudo, recentes descobertas efectuadas pelos sobrinhos do Poeta, vieram pôr termo a esta dúvida...

Existe ainda outro motivo que encontro para adjectivar esta obra de "importante". Parece-me essencial, num mundo desmesuradamente materialista, apontar alguns vultos do Passado, como é o caso de Fernando Pessoa, e revelar a sua face mística, oculta, esotérica. Urge que se quebre o preconceito existente de que aqueles que se debruçam sobre os Mistérios, não passam de seres transtornados, seres que perderam a lucidez. Fernando Pessoa, tal como muitos outros que ao longo da História procuraram ampliar a sua consciência, através de uma visão holística dos fenómenos, foi um homem lúcido, extremamente lúcido, genial mesmo. Isto é atestado pela sua obra literária, reconhecida em todo o mundo, mas também pela sua faceta de Esoterista e Esoterólogo, revelando-se, a este nível, uma referência incontornável.

Posto isto, resta ler o livro...

quarta-feira, 12 de janeiro de 2005

Sub-produtos dos jornais e revistas

Não é de todo novidade que alguns jornais e revistas disponibilizam, como compra opcional e em atractivas colecções, livros a preços bastante reduzidos.

Sinceramente, ainda não sei bem que posição hei-de tomar no que diz respeito a este assunto - se é que existe algum interesse em tomar uma posição sobre este ou até qualquer outro assunto, mas não vale a pena ir por aí...

Por um lado, os livros estão, de facto, despropositadamente caros e colocar os mesmos à venda, por um preço por vezes três vezes mais baixo, é um acto a enaltecer. Por outro lado, o mercado livreiro vai abaixo ainda mais, pois deixam-se de vender outros livros, mesmo que estes estejam fora das referidas colecções.

Por um lado, os livros mais baratos possibilitam a algumas pessoas, com menos posses, o acesso à "Cultura". Por outro lado, lembro as palavras do Mestre Agostinho da Silva que ao ser questionado sobre o que faria se um dia fosse Ministro da Cultura, respondia que «a primeira cultura é o pão para a boca». Porventura, as pessoas que estas promoções procuram visar não estão de todo interessadas. Quem acaba por aproveitar as promoções são os mesmos que iriam comprar os livros do mercado livreiro e que, assim, deixam de o fazer.

Assim, sendo livreiro, tendo a estar ligeiramente inclinado a reprovar a venda desses sub-produtos, mas o que é certo é que eu próprio já aproveitei algumas oportunidades. Por isso, abstenho-me de tomar uma posição, se me o permitirem...

domingo, 19 de dezembro de 2004

Código da Vinci

Não, por acaso não vamos escrever sobre este livro, que lemos lá para Maio ou Junho deste ano, até porque a opinião que temos do mesmo não é muito abonatória. Entre outras coisas, nunca percebemos porque é que o autor, ao falar de um hipotético código cifrado por Leonardo nas suas obras de arte, decidiu, no título do livro, dizer que se trata do código da cidade (Vinci) onde nasceu esta importante personalidade; na altura nem existiam telefones - apesar do Leonardo já dever andar a pensar inventar uma coisa dessas!...

Vamos sim apontar uma curiosidade, que apelidarei de Ossos do Ofício, neste caso o ofício de livreiro, que é o nosso...

Como sabem (ou calculam), muitas vezes quando um cliente quer um livro o mais certo é não se lembrar nem do nome do mesmo, nem do autor, quanto menos a editora... sabe apenas que a capa é assim para o azulado com umas letras grandes avermelhadas, não sabe tampouco o assunto, mas está muito interessado em ler o livro.

O Código da Vinci estava apenas no início do enorme sucesso que veio a ter e o nome ainda não estava na ponta da língua como hoje... Nessa altura ouvimos estas pérolas, que supostamente seriam o nome deste polémico (mas insipiente) livro:

  • O Rapto da Mona Lisa
  • O Sorriso da Gioconda
  • O Código de la Vinci
  • O Mistério da Vinci
  • O Código de Avalon
... entre outras que não tivemos oportunidade de anotar...

terça-feira, 7 de dezembro de 2004

Parabéns Rainer!


Apesar de este ser um Blog dedicado à “recensão crítica” (o que é que será que isto quer dizer?...), não podíamos deixar de assinalar o aniversário de alguém que, para além de inúmeras e inolvidáveis obras beneméritas, contribuiu com cerca de 60 livros para um panorama literário que, assim, ficou mais rico.

Como tal, desejamos um feliz 63º aniversário ao nosso bom Amigo Rainer Daehnhardt, prestando-lhe, desta forma, uma modesta homenagem.

Um enorme Bem Haja!!... e que conte muitos mais!!

domingo, 28 de novembro de 2004

Mensagens do Sanctum Celestial


Raymond Bernard


Renes – Biblioteca ROSACRUZ IX




Raymond Bernard
é, nos dias que correm, praticamente um desconhecido em Portugal. Como tal, por inúmeras razões, entre as quais o seu enorme Amor pelo nosso país, é natural que façamos, periodicamente, pequenas alusões ao seu percurso literário, conforme formos (re)lendo esta ou outra obra. Desta feita, falaremos das suas Mensagens do Sanctum Celestial.


Este livro, tal como outros do mesmo autor, nasceu de um conjunto de mensagens, em forma de fascículos, enviadas aos membros da Ordem Rosacruz – AMORC, durante os anos sessenta, quando Raymond Bernard assumia as funções de Grande Mestre desta Ordem na França e países de língua francesa, acumulando ainda a função de Legado Supremo do Imperator na Europa.


Mensagens do Sanctum Celestial
é, acima de tudo, uma importante ferramenta de trabalho, essencialmente para aqueles que se dedicam aos estudos rosacruzes, mas não só. Isto porque, apesar das indicações precisas que transmite para aceder com toda a certeza, dignidade e amor ao Santum Celestial, o livro está repleto de ensinamentos que a todos dizem respeito, estudantes rosacruzes ou não. Assim, os assuntos tratados são de interesse incontornável para todos aqueles que querem aprofundar os seus conhecimentos nos campos da Espiritualidade pragmática. Entre os mesmos poderemos destacar: A Lei do Silêncio, A Cura Espiritual, As Vidas Sucessivas ou A Lei da Compensação; assuntos que são tratados com a maior clareza e simplicidade possível, e apresentados com a eloquência reconhecida nos grandes mestres.


Todas as palavras que aqui empregarmos nunca poderão fazer justiça a esta ou a qualquer outra obra literária de Raymond Bernard, que são verdadeiros ponteiros certeiros que apontam na direcção de uma consciência mais ampla.

sexta-feira, 19 de março de 2004

515 - O Lugar do Espelho


Lima de Freitas

Hugin



«O símbolo, com efeito, permite um número indefinido de interpretações, na medida em que postula uma metalinguagem e exige um esforço constante de adequação» (Lima de Freitas).

Esta ideia, que autor vai fazendo referência e que vai aprofundando ao longo de todo o livro, é de extrema importância e será essencial retê-la, aquando da leitura desta obra impressionante - uma “obra-mestra”, nas palavras de Gilbert Durand. Isto porque, é sobre símbolo e sobre todas as suas implicações (entre outros assuntos, evidentemente) que o esquecido Pintor, Desenhador, Gravador, Ceramista e Ensaísta Lima de Freitas se debruça, ao longo das trezentas e muitas páginas deste livro.


Após a leitura, parece-nos claro que o autor se propôs a três objectivos bem definidos, aquando da execução da obra, e que foram (não necessariamente por esta ordem):


1º. Dar a conhecer a uma audiência não-portuguesa (o livro foi originalmente escrito em francês e editado pela chancela Albin Michel) os mistérios e a riqueza da Tradição Filosófica e Esotérica deste país, que autores como Guénon, Evola ou Eliade, ao fazerem referência a vários temas em que esta Tradição seria incontornável, pura e simplesmente a ignoraram.


2º. Desvelar o porquê de Dante ter usado o número 515 (e não outro) para o Messo di Dio.


3º. Enunciar algumas ocorrências deste mesmo número em vários obras, nomeadamente em pintura e escultura, perscrutando um fio condutor, um saber oculto que a todas seria comum.


Em todos estes objectivos, estamos em crer, Lima de Freitas obteve sucesso, apresentando a sua obra tal como se de uma investigação policial se tratasse. Os factos, as deduções, os raciocínios são de tal forma bem esquadrinhados que, não fosse o autor fazendo ressalvas em contrário, acreditaríamos que nada tinha ficado por averiguar ou por dizer.


Sem dúvida reveladora é a interpretação, apresentada por Lima de Freitas, dos Painéis de São Vicente de Fora, o políptico atribuído a Nuno Gonçalves, que sendo díspar da que foi outrora exposta por António Quadros, não a exclui, e ambas até se complementam. Segundo o autor, estamos em presença de mais uma representação do 515...


Outro aspecto interessante a ter em conta é o rol de conhecimentos vários que vamos absorvendo ao ler esta obra: Geometria Sagrada, Numerologia, Guematria, Pitágoras, o Veltro, Dürer, o Paracleto, Templários, Joaquim de Fiore, Vieira, enfim...


515 - O Lugar do Espelho é, por tudo isto, uma obra de enorme relevo no panorama da tradição literária-filosófico-esotérica portuguesa, tendo claramente tanto peso como algumas obras de António Quadros, Agostinho da Silva ou Fernando Pessoa. Não será nunca (!?) um sucesso editorial, mas é sem dúvida fundamental para todos aqueles que procuram os saberes tradicionais.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2004

Letters From Nowhere


Raymond Bernard

Circes International



Um livro bom de um homem bom! Assim se referiu a este livro o nosso Amigo Alexandre Gabriel. Concordámos, naturalmente.

Ficámos, no entanto, indecisos se havíamos, ou não, de referir esta obra no Arte de Ler. Isto porque se trata de uma obra em inglês (o original é em francês), não traduzida para o português e, ainda por cima, muito difícil (se não mesmo impossível) de encontrar nas livrarias. Mas, consultámos o site da amazon.com, e o livro pode ser aí adquirido. Aproveitámos a navegação pela internet para colocar uma crítica a esta mesma obra, no referido site, a qual passamos a transcrever, numa tradução livre.


A nosso ver, este livro encontra-se dividido em duas partes distintas. A primeira é dedicada a um Tributo, de Raymond Bernard, a Kamal Joumblat, o Grão-Mestre dos Druzos, que nos permite ter uma ideia completamente nova deste homem, assassinado à saída do seu château em Moktara, no Líbano. Ainda na primeira parte do livro, o Misticismo Rosacruz é referido, a que se acrescenta uma breve análise do filho do autor Christian Bernard, que é, presentemente, o Imperator da AMORC -, pelo próprio autor.

Na segunda parte do livro, que é maior do que a primeira, Raymond Bernard partilha as suas viagens espirituais pelos países orientais, de uma forma que é perceptível por todos. Os seus contactos com personalidades eminentes na Índia, e noutros países, como o Tibet ou Nepal, são descritos em profundidade, e tudo aquilo que a Raymond é permitido revelar, é revelado... Ao fazê-lo, Raymond permite um desenvolvimento espiritual a todos aqueles que encararem este livro com mente e coração abertos.

Claustro de Sonhos


S. Franclim

Hugin



No Livro do Esplendor, o Sepher ha-Zohar, que é um comentário à Bíblia, é dito que esta é susceptível de ser interpretada de 49 formas diferentes (Zohar, II, 130). O mesmo texto (Zohar, I, 25b) diz ainda que a Escritura apresenta 70 Sentidos. É evidente que estes são números simbólicos, sendo que o primeiro corresponde às 49 portas de misericórdia, de que o período jubilar é a imagem, podendo também remeter-nos ao Pentecostes... O 70 poderá ser uma “simplificação” do 72, outro número de cariz simbólico, naturalmente.

Esta informação, que obtivemos na obra 515 - O Lugar do Espelho de Lima de Freitas, da qual falaremos em futuro post, serve apenas para apoiar a ideia de que a nossa interpretação, dos poemas do Claustro de Sonhos de S. Franclim, é apenas uma das várias possíveis... A isto se presta a poesia!


Sabemos, por conversa com o autor, que a respectiva interpretação não está “correcta”, uma vez que não foi com esse sentido que o livro foi escrito. Mas, foi também o autor que nos disse que a achou interessante e, em certa medida, “concordou” com a mesma. E é por isto que, de seguida, a expomos.


Assim, consideramos que a poesia em Claustro de Sonhos expressa o ultrapassar do Nigredo alquímico, culminando numa Morte Simbólica e num Renascimento, após o qual o poeta nos diz que a sua alma está «sedenta de Luz». Pelo meio, o autor vai descrevendo o desenrolar do seu processo interior, em certas alturas (poucas), de uma forma leve e descontraída, mas noutras, revelando toda a profundidade desse mesmo processo, das dores e desalentos que acarreta.


Este livro denota uma maior maturidade do autor, apesar de ainda muito jovem. De facto, S. Franclim tem apenas 25 anos, mas conta já com um currículo literário considerável, com 7 livro editados. Relembramos aqui alguns: Espírito de Portugal, Os Montes da Glória ou O Último Maçon.

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