Rui Fonseca
Zian Editora
Caros leitores, aqui marco o meu regresso ao Arte de Ler com um tema que me é muito especial.
O tema do livro em causa encontra eco em grande parte da classe poética portuguesa. No entanto, durante a segunda metade do século XX surgiu um adormecimento desta corrente de pensamento, designada por Sebastianismo. Não esquecendo a complexidade do tema, muitas vezes surge uma interpretação meramente artística de certos "tratados" sobre a temática sebástica. O autor Rui Fonseca, professor de Filosofia no ensino secundário, soube reunir todo um historial cronologicamente organizado, «partindo da raiz da temática (...) analisando alguns enquadramentos históricos que fazem recair sobre a grandiosidade de alguns povos a realização do Quinto Império».
Sem qualquer dúvida trata-se de uma obra interessante, oportuna e bem estruturada sobre esta temática. Contudo, o autor manifesta alguns subtemas algo alheios a temática como «a Declaração de Princípios da Cidadania Planetária». Rui Fonseca acaba por referir de igual forma a questão do antigo regime como: «o fascismo, espelho continuado deste atraso, caiu. E hoje, com o 25 de Abril, os tempos mudaram, as portas abriram-se e o futuro espera-nos». O Quinto Império, é intemporal, sem desenvolvimento politico/partidário, com o fundamento de um Estado Universal, regido por um Rei que terá reunidos em si o poder temporal e espiritual. Não faz sentido referir ao facto histórico da liberdade politica alcançada no 25 de Abril, sem referir acontecimentos políticos de grande importância para Portugal e sua Missão, tais como perda da independência Portuguesa, instauração do Regime Liberal, implantação da República e instalação do Estado Novo. Curiosamente é no período posterior ao 25 de Abril que se nota um maior afastamento literário e poético do mito do Quinto Império.
Penso que este livro é um bom contributo para esta causa, escrito por um livre-pensador, e eu como livre-pensador que sou, escrevo e digo: A Portugal está reservado um grande destino, deixar de ser Portugal e conduzir o Mundo Unido.
Apenas uma nota: curiosamente este livro foi editado no Brasil, pelo que não se entende a sua não edição em Portugal.









