quinta-feira, 31 de março de 2005

Re-Criações Herméticas II

ensaios diversos sob o signo de Hermes

José Manuel Anes

Hugin Editores



Infelizmente temos que fazer uma crítica pela negativa a este livro de José Manuel Anes. Habituados que estamos ao bom trabalho que este Homem Bom nos tem apresentado, tanto em conferências e/ou cursos, ou através de outras obras publicadas, foi com grande tristeza que constatámos que as Re-Criações Herméticas II é um livro péssimo!

Naturalmente que podem existir outras opiniões; até pode haver quem o considere um excelente livro. No entanto, temos as nossas dúvidas que isso venha a acontecer, por várias razões.

Em primeiro lugar, o livro não teve qualquer revisão e, como tal, encontra-se repleto de erros ortográficos, alguns deles bem caricatos que até fazem sorrir: na capa lê-se re-criações, mas na lombada lêmos re-creações!!

Mas se isto é desculpável, o facto de ter outros erros de informação que é passada e que denotam um total descuido por parte do autor, isso já é mais preocupante. A título de exemplo, o nascimento de Buda não se celebra perto do Natal Cristão, mas sim a 22 de Maio... o candelabro Judaico não tem 8 braços... entre outros erros básicos!

Também não se percebe por que é que algumas citações de livros consultados estão traduzidas para o português e outras estão na sua língua original, em francês e em inglês. Ou se traduziam todos os excertos ou não se traduzia nenhum. Não compreendemos o critério utilizado.

Por outro lado, os temas abordados são muito variados e interessantes. A nosso ver, são tratados de uma forma demasiadamente académica, para o tipo de temas de que se trata - mas esta consideração é já um problema nosso. Contudo, fica sempre a sensação de que, apesar de ler muito e saber um pouco sobre temas vários, o autor não conhece ou não se debruça sobre nenhum deles a fundo, e ficamos sempre com a ideia de que nem tudo é bem assim como está referido. Também aqui podemos dar exemplos: a O.S.T.I. foi de facto fundada em 1971, quando não era mais do que um ramo da A.M.O.R.C.. Mas a organização que hoje existe nada tem a ver com essa que é referida nesta obra e surgiu em 1988. Pena que este tipo de informação - que consideramos essencial quando se fala de Ordens (neo) Templárias - seja totalmente descurada por parte do autor.

Ainda de referir (ou talvez nem interesse referir...), as defesas às teorias sobre a Quinta da Regaleira. Defesas essas perpetradas com ataques quase infantis, que denotam alguma falta de humildade, quando essas mesmas teorias são postas em causa, uma vez que, de facto, as suas bases são bastante discutíveis.

Em traços gerais, trata-se de um livro a evitar, cuja edição foi bastante infeliz, podendo mesmo trazer algum descrédito a um autor que, tendo já conseguido criar à sua volta uma aura de qualidade e bom senso, continua a merecer a nossa admiração. Mas, por favor, Sr. José Manuel Anes, não repita a façanha!

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