
Pois bem, ler não implica uma pausa no pensamento - mas pode ser na acção; vi as melhores mentes da minha geração perderem-se nos meandros lodosos da acção, sem dedicarem um minuto que seja das suas vidas ao pensamento. A leitura deveria ser uma actividade laboral, um trabalho no intervalo da acção; de outro modo, a verdadeira acção. O ócio não é uma desistência; é uma entrega à sabedoria, e dessa forma à acção. E a leitura deve ser parte importante de um momento de ócio. A culpa, como em quase tudo, é dos cristãos. Mais exactamente, da maldita ética protestante, que valoriza o trabalho acima de tudo, considerando-o uma medida da bondade humana; e recusando o ócio como mola da acção, motor da produção humana. Os gregos, como sempre, estavam certos.
Por isso, recusar as férias como um tempo de leituras é a solução mais sensata; ler todo o ano, sobretudo no Verão, ou não. Sobretudo recusar a obrigação de ler isto ou aquilo, nesta ou naquela altura. Ler apenas. Enriquecer o ócio. O cálcio necessário para o intelecto. Produzir.
2 comentários:
Bom texto, gostei.
Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes
Assino por baixo.
É verão, e não estou de férias, no entanto, para mim, nem uma nem outro são condicionantes ou impulsionadores do acto de 'ler'. Tenho alturas em que devoro livros, como esta, em que em duas semanas devorei 3 e a caminho do 4º, e outras que deixo os livros se arrastarem. Acho que tem mais a ver com a 'clareza' de 'espírito' do que propriamente com as férias ou falta delas. no meu caso, está claro:) dos outros sabem eles.
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